Nosso Futuro Digital

Visão Geral

Se os sindicatos estiverem prontos para configurar a transformação digital de acordo com o interesse público, haverá uma gigantesca oportunidade de aumentar o poder do trabalho, melhorar os serviços públicos e conquistar o controle democrático sobre nossos dados.

Para fazer isso, devemos criar uma compreensão sobre como a presente transformação está sendo formada para servir principalmente aos atores privados à custa do controle democrático e estar prontos a desafiar efetivamente o seu poder, oferecendo alternativas concretas.

Devemos desenvolver e comunicar efetivamente um modelo e uma visão positivos e alternativos nos quais a transformação digital seja governada publicamente e configurada para o bem coletivo.

Construir o poder de assegurar que nossa visão será implementada exige a capacidade de:

  • conquistar proteção, direitos e poder no local de trabalho e formatar proativamente os processos relacionados à digitalização;

  • influenciar políticas e processos para garantir que a digitalização nos serviços públicos caminhe rumo a um melhor acesso, qualidade e efetividade (em um sentido positivo e não somente em termos de corte de custos);

  • liderar o debate público sobre como as tecnologias digitais devem ser usadas e governadas, além de desempenhar um papel chave para configurar seus sistemas de governança;

  • saber quais ferramentas podem auxiliar a governança dos sistemas digitais.

Este Projeto de Digitalização da ISP oferecerá ferramentas concretas e recomendações práticas para proteger os direitos dos trabalhadores e os serviços públicos para todos.

Materiais do projeto

Os materiais são organizados por região. Para acessar os que são relevantes a você, clique abaixo na sub-página da sua região.

América do Norte
Europa/Caribe

Ásia Pacífico

América Latina

África/MENA

Por que este projeto?


Sob pressão orçamentária e em busca de investimentos estrangeiros, os governos do mundo inteiro estão buscando soluções digitais para oferecer serviços públicos já há algum tempo.

No entanto, muitos estão introduzindo novas tecnologias com pouca supervisão ou responsabilidade, apesar de isso ter implicações profundas.

A pandemia da COVID acelerou essas tendências e gerou muitas preocupações para os trabalhadores, incluindo maior vigilância e monitoramento, além de novas formas de teletrabalho.

Só é possível lidar com as implicações de tudo isso para os trabalhadores através de uma estratégia deliberada e direcionada em todas as regiões do mundo. O Projeto Digital da ISP visa a fazer justamente isso.

Este projeto reúne diversas vertentes desse trabalho e é peça central do nosso esforço de construir uma capacidade digital junto a nossos afiliados.


O Contexto Mais Amplo

Ao mesmo tempo que a pandemia levou autoridades e órgãos públicos a se mobilizarem rapidamente para instalar novos sistemas eletrônicos (os aplicativos de rastreamento de contato podem ser os mais conhecidos no momento), a transformação digital não é nova. Ela vai muito além e atinge diretamente o coração dos serviços públicos: os serviços de saúde, administração pública, infraestrutura, justiça e educação.

Estamos enfrentando um desenvolvimento global movido por contradições; ainda assim, parece haver pouco questionamento político ou industrial dos termos sob os quais uma (maior) digitalização dos serviços públicos deve ocorrer. A pressão por transformação está fadada a se aprofundar, na medida em que a recessão econômica na esteira da COVID-19 coloca maior pressão sobre os orçamentos para o setor público nos próximos anos.

Porém, enquanto muitas das economias ao redor do mundo despencaram, as ações da Apple, Amazon, Alphabet, Microsoft e Facebook aumentaram 37% somente nos primeiros sete meses de 2020.

Isso aumentar o poder econômico e político das big techs para promover seu próprio modelo de digitalização.

Big Tech’s Domination of Business Reaches New Heights

Tech’s top seven companies added $3.4 trillion in value in 2020

Enquanto isso, as principais corporações que estão lucrando com a pandemia normalmente se utilizam de paraísos fiscais offshore e de engenharia financeira para evitar pagar sua justa parcela aos magros orçamentos públicos. É por isso que a ISP está lutando por uma reforma radical dos modelos de taxação a fim de oferecer serviços públicos melhores, mais universais e de qualidade. Porém, enquanto fazemos isso, é provável que as grandes empresas digitais, os interesses de negócios, a mídia e muitos governos acelerem medidas de corte de gastos e privatização usando uma adoção rápida de novas tecnologias. Experiências recentes mostram que isso frequentemente ocorre às custas dos direitos fundamentais de usuários e trabalhadores.

No nível social, especialmente no mundo do trabalho, essa transformação digital desenfreada requer um conjunto de demandas fortes e unificadas tanto de grupos de cidadãos quanto de sindicatos.


O que Diferencia a Datatização?

A “datatização” do estado marca um movimento que se afasta da visão dos problemas e questões sociais como algo compartilhado e caminha rumo a uma lógica que atribui o “risco” ao indivíduo. No mundo inteiro, instituições e mecanismos de governança insuficientes para a era digital significam também que os serviços públicos podem tanto abusar das tecnologias digitais quanto ser abusados por elas, produzindo ampla discriminação e ataques aos direitos humanos.

A governança das tecnologias digitais, bem como a transparência e a responsabilidade acerca de sua estrutura e seus objetivos intencionais e não intencionais, é urgente. À medida que as empresas privadas de tecnologia promovem serviços públicos digitais no Sul Global, há também uma necessidade premente de compreender as consequências do desenvolvimento do colonialismo digital.

Esta não é a primeira vez que trabalhadores e sindicatos devem enfrentar a rápida introdução de uma nova tecnologia. Entretanto, a lacuna digital entre impulsionadores e pioneiros criativos no uso das tecnologias digitais, por um lado, e sindicatos e trabalhadores, por outro, é grande e continua crescendo.

No âmago dessa lacuna está o ritmo sem precedentes das mudanças, mas também a introdução da tomada de decisões por algoritmos que, pela primeira vez na história, retira dos trabalhadores em seus processos de produção a tomada independente de decisões e a substitui por decisões orientadas por dados.

Publicações chave

Construção de Capacidade para Vencer


Para transformar a digitalização em uma ferramenta que melhore as condições dos trabalhadores e a efetividade, qualidade e acesso aos serviços públicos, os sindicatos precisam de uma compreensão forte da essência mesma dos sistemas digitais: os dados e algoritmos. Ambos têm consequências significativas e frequentemente terríveis sobre os direitos dos trabalhadores, bem como o emprego e as oportunidades de carreira disponíveis para eles.

Os sindicatos precisam saber:

  • como conquistar proteção, direitos e poder no local de trabalho e formatar proativamente os processos relacionados à digitalização;

  • como influenciar políticas e processos para garantir que a digitalização nos serviços públicos caminhe rumo a um melhor acesso, qualidade e efetividade (num sentido positivo e não somente em termos de corte de custos);

  • como liderar o debate público sobre como as tecnologias digitais devem ser usadas e governadas, além de desempenhar um papel chave para configurar seus sistemas de governança;

  • quais ferramentas podem auxiliar a governança dos sistemas digitais.

Temas


Os cursos de treinamento serão moldados e adaptados às especificidades de cada região, mas todos incluirão os seguintes tópicos chave:

1. O que exatamente são dados e inteligência artificial?

2. Como a digitalização está mudando os serviços públicos e empregos?

3. Que direitos os trabalhadores têm a dados e inteligência artificial (A.I.) e o que precisa ser melhorado e modificado?

4. Para limitar vieses, discriminação e tomada de decisões sem transparência, os sindicatos exigem ter um assento na mesa de discussões relativas à governança dos sistemas algorítmicos. Como deve ser esse modelo? O que precisa ser apresentado?

5. Como usamos a negociação coletiva para proteger e desenvolver nossos direitos digitais?

6. Como os sindicatos podem se apoiar mutuamente dentro de suas regiões e entre elas para evitar duplicação, apoiar o compartilhamento das melhores e piores práticas e ajudar uns aos outros a dar um salto rumo a um caminho digital forte e sustentável?

7. De que coalizões os sindicatos devem participar e que coalizões devem formar para limitar os efeitos negativos sobre os serviços e funcionários públicos, além de se tornarem protagonistas para o desenvolvimento de uma governança progressiva e pró políticas públicas de tecnologias digitais?

Participe do projeto como Organizador de Direitos Digitais!

Estamos buscando membros de sindicatos e ativistas para participar desse treinamento!

O que isso quer dizer e como eu me engajo no trabalho?

Objetivos


O projeto visa a treinar três grupos distintos em cada região:

  • Centros regionais autossustentáveis de Organizadores de Direitos Digitais (ODDs)

Esses ODDs serão afiliados e representantes chaves do escritório central da ISP e trabalhadores regionais. Eles serão treinados para serem os impulsionadores de centros sindicais (virtuais) de excelência. Esses centros funcionarão como recursos para os afiliados regionais com relação à construção permanente de capacidade, ao compartilhamento de boas práticas, criação de novos materiais informativos e apoio aos sindicatos em suas transformações digitais. Os ODDs terão um papel essencial ao longo de todo o projeto, trabalhando com os líderes e coordenadores de projetos, preparando e acompanhando cada treinamento regional.

  • Líderes sindicais em cada região

Os líderes sindicais são os motores de mudanças estratégicas. Sem um treinamento dedicado e focado neles, dificilmente será possível transformar as capacidades e foco dos sindicatos, delegados sindicais e equipe de secretariado dos sindicatos. Este conjunto de módulos de treinamento busca criar uma linha de base unificada de conhecimento e incluirá assuntos como negociar direitos mais fortes dos trabalhadores sobre os dados, a cogovernança de sistemas algorítmicos, e oferecerá aos líderes sindicais as ferramentas para apoiá-los em sua transformação digital e estratégica.

  • Delegados sindicais e pessoal do secretariado de sindicatos

Os delegados sindicais são vitais para qualquer transformação digital no local de trabalho. Não só eles são as pessoas mais próximas à base, podendo sinalizar acontecimentos, mas também são aqueles que podem levantar questões e depois negociar diretamente com a gerência. A equipe de secretariado dos sindicatos é chave para o sucesso dos delegados. A equipe do sindicato deve poder apoiar e aconselhar os delegados em seu trabalho. Essa série de workshops será dedicada a esses dois grupos fundamentais e a seu sucesso mútuo, e será adaptada e customizada para cada região. Não é a intenção desta proposta excluir um programa amplo para os delegados sindicais — em última instância, ela será válida para os sindicatos afiliados. No entanto, o treinamento dos primeiros a adotar tecnologias entre os delegados sindicais será uma ajuda vital para os ODDs, lideranças e equipes de secretariado para lançar os alicerces de um desenvolvimento mais amplo.

Formato

Os ODDs receberão 3 x 3 horas de treinamento.

Os Líderes Sindicais, equipes de sindicatos e grupos de representantes de equipes receberão, cada um, 2 x 3 horas de treinamento.

Cada rodada de treinamento consistirá em workshops interativos e exercícios práticos. É desejável que os respectivos participantes estejam presentes em todos os workshops de seus grupos.

Além das séries de treinamentos, algumas informações de apoio em forma escrita e audiovisual serão disponibilizadas para auxiliar cada região e sindicato. Serão disponibilizadas gravações para que os participantes as utilizem para treinar seus colegas.

Os ODDs estarão envolvidos no desenvolvimento de trabalhos da ISP, criando módulos de artigos para negociação coletiva e modelos de cogovernança de sistemas algorítmicos no local de trabalho.

Cronograma


O projeto se iniciará com o treinamento para os Organizadores de Direitos Digitais. Eles serão os polos de especialização e poderão oferecer apoio aos sindicatos ao longo da jornada.

No início de 2022 começará o Treinamento dos Líderes Sindicais para que, quando chegar o momento do congresso ISP, todos os Líderes Sindicais que se envolveram nesse projeto possam acelerar o processo.

Nenhuma transformação digital pode acontecer sem a força motriz dos líderes sindicais da ISP.

No final de 2022 e início 2023, treinaremos um terceiro grupo de trabalhadores para reforçar as negociações no local de trabalho, mais especificamente os representantes de equipe e funcionários dos sindicatos que os apoiam.

Pessoas de contacto


A ISP estabeleceu um grupo de cooperação que consiste na equipe do Escritório Central, Secretarias Regionais e os coordenadores regionais responsáveis. Os coordenadores regionais serão o principal ponto de contato para os afiliados regionais e servirão como centro para os ODDs.

São estes:

África

Daniel Oberko

Email: daniel.oberko@world-psi.org


Inter América

Steve Porter

Email: steve.porter@world-psi.org

Gabriel Casnati

Email: gabriel.casnati@world-psi.org


Asia-Pacífico

Susana Barria

Email: susana.barria@world-psi.org


Europa

Para EPSU - Richard Pond

Email: rpond@epsu.org

Para la ISP - Daniel Bertossa

Email: daniel.bertossa@world-psi.org


Mundial

Daniel Bertossa

Email: daniel.bertossa@world-psi.org

Christina J. Colclough

The Why Not Lab

Email: christina@thewhynotlab.com