TLC Chile-Brasil: outro tratado secreto para favorecer as empresas transnacionais

"Os tratados de livre comércio têm como principal consequência à redução da soberania política dos povos e melhores condições para o capital transnacional. Não queremos que essa seja a forma da suposta união entre Brasil e Chile, para que dessa forma só os povos percam. De forma taxativa, nos opomos a tal tratado."


A Plataforma Chile Melhor sem TLC e a Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip), das quais a ISP e suas filiadas fazem parte, emitem uma declaração conjunta onde denunciam os respectivos governos pela assinatura do tratado de livre comércio entre ambos países.

DECLARAÇÃO

1- Em total segredo, os governos do Chile e do Brasil avançaram durante este ano na negociação para assinar um tratado de livre comércio. Surpreende-nos a rapidez com que avançaram as conversações e a total ausência na discussão das lideranças políticas, da sociedade civil organizada e da opinião pública dos nossos países.

2- A situação atual de ambos os países é muito distinta, mas provavelmente começará a convergir. Enquanto que o Brasil teve em anos anteriores uma política sustentada de fortalecimento da indústria interna e um papel forte do Estado na sociedade, o Chile é um dos países mais abertos do mundo aos investimentos estrangeiros, baseado em um Estado subsidiário. A assinatura desse tratado e a declaração do entorno do presidente eleito, Jair Bolsonaro, fazem prever que se quer transitar ao extremo do modelo neoliberal chileno.

3- Embora ninguém conheça o texto, salvo as equipes negociadoras que não respondem a nenhuma tutela política, podemos assinalar de antemão que este tratado será baseado no TLC entre Chile e Argentina, que por sua vez, é muito parecido com o TLC entre Chile e Uruguai. Esses três passos sucessivos formam parte da eufemisticamente chamada “convergência entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico”, mas que, na realidade, é o desaparecimento do primeiro bloco e a incorporação de seus países à lógica desregulatória que protege os investimentos no segundo bloco.

4- Isto supõe, em primeiro lugar, que os tratados são apresentados como “modernização” das políticas públicas, mas apenas para aumentar garantias aos investidores.

5- Em segundo lugar, se incorporam capítulos de gênero, pequenas e médias empresas (PME), desenvolvimento e trabalho, mas esses quatro capítulos não têm nenhum conteúdo vinculante, com o qual podemos adiantar que serão cascas vazias.

6- Em terceiro lugar e em troca, esses tratados contêm os novos temas regulatórios que atacam a capacidade dos Estados de regular, através do mecanismo de “boas práticas regulatórias”. Isso é impulsionado pela OCDE e implica uma intervenção no próprio processo de tomada de decisões dos Estados, já que endossa a participação das empresas e de outros Estados em futuras decisões sobre os direitos (humanos, ambientais, trabalhadores), já que elas poderiam ser identificadas como atentatórias contra os investidores.

7- Os tratados de livre comércio têm como principal consequência à redução da soberania política dos povos e melhores condições para o capital transnacional. Não queremos que essa seja a forma da suposta união entre Brasil e Chile, para que dessa forma só os povos percam. De forma taxativa, nos opomos a tal tratado.

Plataforma Chile Mejor sin TLC – Chile
Red Brasileña para la Integración de los Pueblos, REBRIP – Brasil

Declaração conjunta Chile Mejor sin TLC e Rebrip

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A Plataforma Chile Melhor sem TLC e a Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip), das quais a ISP e suas filiadas fazem parte, emitem uma declaração conjunta onde denunciam os respectivos governos pela assinatura do tratado de livre comércio entre ambos países.

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