27ª Reunião do Comitê Diretor da ISP – Comunicado
O Comitê Diretor Global da ISP (SC-27) se reuniu na semana passada. Líderes de sindicatos do serviço público de todo o mundo compartilharam estratégias para promover os direitos dxs trabalhadores, defender os serviços públicos, combater a extrema direita e construir um novo multilateralismo progressista para o século XXI.
O SC-27 tomou conhecimento de que a ISP conquistou mais de 500 mil novos membros nos últimos dois anos, incluindo 12 novos sindicatos presentes na reunião.
Essa expansão é um sinal da unidade e do poder crescente da ISP e da resistência dxs trabalhadores dos serviços públicos, à medida que nos organizamos e lutamos contra a extrema direita e seus apoiadores bilionários.
O vice-presidente da ISP, Thomas Kattnig, do Younion Áustria, afirmou na reunião
“A unidade da ISP é o segredo desse sucesso — esse caminho requer o apoio dos afiliados, dos líderes e da secretaria — e foi exatamente isso que fizemos.”
O Comitê Executivo discutiu a recente vitória no Tribunal Internacional de Justiça, que confirmou o direito à greve conforme previsto na Convenção nº 87 da OIT – e os riscos remanescentes para os sindicatos dos serviços públicos. A PSI criou um grupo de trabalho jurídico para examinar essa decisão e emitirá um resumo para os afiliados nas próximas semanas.
O Secretário-Geral, Daniel Bertossa, relatou suas reuniões com o Diretor-Geral da OIT e os esforços da ISP para garantir que a OIT priorize os trabalhadores do serviço público na atual fase de reestruturação. O SC destacou o sucesso em garantir apoio tanto para o departamento de Atividades Setoriais da OIT quanto para os serviços públicos no texto revisado. A PSI também garantiu a realização de uma reunião técnica da OIT sobre o avanço do trabalho decente e do desenvolvimento sustentável no setor de água e saneamento em 2027.
O SC tomou conhecimento de que a ISP continua a fortalecer seu trabalho de organização e setorial e concluiu recentemente as negociações sobre o primeiro Acordo-Quadro Global de Diálogo Social na Administração Local com a Cidades e Governos Locais Unidos (UCLG).
A reunião tomou conhecimento dos planos elaborados com nossos afiliados do setor da Saúde na Palestina para utilizar nosso Fundo de Solidariedade com Gaza a fim de fornecer cirurgias de emergência e apoio à saúde mental para profissionais de saúde traumatizados.
O CS aprovou uma resolução de solidariedade em apoio aos trabalhadores do serviço público no Nepal, onde o novo governo proibiu 12 sindicatos do setor público, está perseguindo líderes sindicais do serviço público e introduziu legislação para atacar ainda mais os direitos sindicais do setor público.
O Secretário-Geral relatou o andamento do trabalho da ISP no âmbito da campanha “Serviços Públicos Contra-atacam”, incluindo esforços para proteger nossos líderes contra ataques. Ele anunciou as datas da Conferência “O contra-ataque dos Serviços Públicos” em Madri, nos dias 16 e 17 de setembro, e pediu aos afiliados que reservassem essas datas.
O SC discutiu a revisão das finanças e operações do Congresso de 2023 e os prazos para os preparativos do Congresso de 2028. Estabeleceu critérios para a sede do evento, abriu a convocatória para indicações para o Comitê de Regimento Interno (SOC) e observou que a primeira série de decisões precisaria ser tomada na EB-168, em dezembro de 2026.
A ISP atingiu e superou todas as suas metas do Plano para uma PSI Sustentável, e o déficit é quase 200.000 euros menor do que o previsto no plano, devido ao forte crescimento do número de filiados e ao controle orçamentário disciplinado. A ISP já capacitou toda a equipe em sensibilização sobre questões LGBTQIA+ e estabeleceu um plano abrangente para o fortalecimento administrativo e financeiro. A nova estrutura da Sede foi implementada a partir de 1º de janeiro de 2026.
O Secretário-Geral anunciou a nomeação de Lina Jamoul como Secretária-Geral Adjunta. Lina assumirá o cargo além de suas atuais funções à frente da área de Crescimento e Fortalecimento Sindical. Lina já liderou um grande sindicato dos serviços públicos nos EUA, atuou como diretora de organização e organizadora comunitária em vários países e fala inglês e árabe. O Comitê Diretor tomou nota da nomeação e desejou-lhe sucesso.
Um novo multilateralismo
O Comitê Diretor ouviu dois palestrantes convidados discutirem as crises em evolução do multilateralismo e as ameaças representadas pelo autoritarismo, pelo extremismo de extrema direita e pela concentração de riqueza e poder. O Comitê Diretor refletiu sobre a necessidade de um internacionalismo renovado, enraizado nas necessidades cotidianas das pessoas e na organização no local de trabalho, bem como na construção de novas “coalizões dos dispostos” para defender a paz, os direitos e os bens públicos.
Frank Hoffer, da Global Labor University, dirigiu-se ao Comitê Diretor, destacando que, para derrotar o populismo de direita, são necessárias políticas populares que limitem o poder dos muito ricos, fortaleçam os serviços públicos e invistam no futuro — e que a organização sustentada e o engajamento porta a porta nos locais de trabalho continuam sendo indispensáveis para uma mudança duradoura.
Hoffer afirmou:“Os progressistas não devem esperar ganhar nada com a competição multipolar entre autocratas… A resposta ao populismo de direita não é a gestão tecnocrática dos imperativos do mercado, mas políticas populares que atendam às necessidades diárias das pessoas, limitem o poder econômico e político dos muito ricos e invistam no futuro da vida humana neste planeta.”
Susana Muhamad apresentou o trabalho da Conferência pela Transição Justa para Fora dos Combustíveis Fósseis, para a qual os afiliados da ISP contribuíram. Isso representa um esforço de 52 países para impulsionar a descarbonização, após a frustração com o domínio dos interesses do petróleo e do carvão sobre o processo da COP. Ela explicou as ameaças e oportunidades que esses esforços enfrentam, destacando como os países do Sul Global devem trabalhar juntos para superar a oposição ao progresso imposta pelos interesses estabelecidos das grandes corporações do Norte – e como tais processos devem incluir espaços para os sindicatos e a sociedade civil.
